O papel - e hoje, as páginas virtuais de blogs, como este aqui, por exemplo, e sites - aceitam qualquer bobabem.
Hoje, comprei a edição de novembro do jornal A Nova Democracia, um periódico mensal que pode ser descrito, a partir de seu conteúdo, como um jornal de extrema-esquerda.
Capa de uma das edições de A Nova Democracia
O que me chamou a atenção no jornal foi a sua manchete, intitulada Um mandato tampão para Luiz Inácio, em referência à vitória da candidata do PT, Dilma Roussef, no segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo a chamada da manchete, publicada na primeira página:
"Não adiantou. Mesmo com todos os apelos para que o povo não deixasse de votar, mais de 36 milhões disseram não à farsa eleitoral".
O texto faz referência à gigantesca abstenção eleitoral, que, no segundo turno, em 31 de outubro, chegou a mais de 25% do total do eleitorado.
E continua:
"Dois milhões e meio de pessoas a mais que no primeiro turno aderiram ao protesto, não votando, anulando ou votando em branco".
Não pretendo discutir os números.
O que interessa é discutir a motivação dos não-votantes.
Ao que me parece, é impossível determinar o que levou as pessoas a não votarem no segundo turno das eleições presidenciais, a menos que seja realizada uma pesquisa para determinar os motivos.
Por outro lado, acho que o jornal exagera no seu papel mediúnico - vício praticamente inevitável quando se escreve sobre política - ao tentar insinuar que TODOS os eleitores que se abstiveram de votar, o fizeram - ou deixaram de o fazer - por "aderirem" a um suposto protesto.
Afinal, é preciso lembrar que o segundo turno casou com o feriadão do Dia de Finados (2 de novembro), e que este foi o último feriado prolongado deste ano.
Além do mais, qual é a validade de um protesto que simplesmente termina ao "convencer" eleitores a não votarem?
Muito bem! A abstenção eleitoral foi um recorde!
E agora? "O que fazer?", como diria o velho Lênin, um dos heróis da turma do A Nova Democracia?
Paz e Bem!
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