sábado, 7 de agosto de 2010

MORRE ROBERTO PIVA

Ontem, estive na minha faculdade. Entre uma conversa e outra, entre um aborrecimento e outro, descobri que um dos meu poetas favoritos, o paulistano Roberto Piva, havia falecido. 

Eu vi o Piva apenas uma vez, em um início de tarde chuvoso, na Livraria da Vila, anos atrás. Era um evento de autógrafos de uma coletânea de seus livros, junto com um debate sobre sua poesia, coordenado por Claudio Willer. 

Conversamos brevemente e fui convencido por uma pessoa a ter a coragem de dar a ele o meu livro de poemas. Obrigado. Sem sua ajuda, eu não teria tido a coragem suficiente.

Piva foi um poeta underground no melhor sentido do possível do termo. Descobrir os seus poemas foi uma reviravolta para mim, pois descobri que era possível escrever com selvageria também em português. 
Pois a poesia, assim como todas as emoções, deve ser selvagem.

Abaixo, transcrevo uma reportagem divulgada no dia seguinte ao falecimento do poeta.

Morre o poeta Roberto Piva

Fortemente influenciado pelos beats, ele foi uma das vozes mais dissonantes do meio artístico de São Paulo




O poeta Roberto Piva, autor de Paranoia, considerada sua obra prima

O poeta Roberto Piva morreu ontem em São Paulo, aos 72 anos, com falência múltipla dos órgãos decorrente de insuficiência renal. Um câncer na próstata o havia levado ao Hospital das Clínicas, onde estava internado desde maio. O câncer atingiu os ossos.
Poeta de importância nacional, Piva nasceu em São Paulo, onde escreveu sua obra prima, a coleção de poemas Paranoia, publicada em 1963. Também foi uma voz dissonante nos meios artísticos da cidade, num tempo em que os escritores ainda se juntavam em grupos.
Ele fez parte de uma geração brilhante mas posteriormente marginalizada, com fortes influências dos poetas beats americanos. Apesar disso, Piva não era facilmente classificável.
O ministro da Cultura Juca Ferreira divulgou nota em que afirma: "Se a morte de um poeta é sempre uma tragédia, a morte de alguém como Piva é um imenso baque a mais, já que a energia que alimentava sua poesia era a exaltação da carnalidade. Essa sua energia enfrentou, nos anos 60 e 70, além da repressão, a estranheza que se voltava contra pregadores, como ele, de uma poética do desregramento. Piva assumiu a responsabilidade de expressar as nossas carências e delírios extremos".
O poeta foi cremado na manhã deste domingo.

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