Senhor, dai-me serenidade para aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu posso, e sabedoria, para que eu saiba a diferença.
Aparentemente, preciso mudar de ares de novo. Ver coisas novas, ver paisagens diferentes, ser um pouco outra pessoa, na esperança de que isso me leve a ser um pouco mais eu mesmo.
Este não é um programa, um plano. É apena uma idéia.
Ando cansado de fazer as mesmas coisas todos os dias, de repetir as mesmas palavras, gestos e pequenas ações. Ando terrivelmente cansado.
Na sexta-feira, teremos um feriado. O plano é simples: ir até a rodoviária e comprar uma passagem. Pra qualquer lugar.
Seus olhos estavam bem abertos, fixos no teto. A luz do sol passeava pelo quarto, na medida em que carros passavam pela rua. Estava fresco.
O sonho tinha sido bom. Ele sabia disso pela sensação de paz e pela vontade de sorrir que sentia. Os músculos do rosto se moviam lentamente e, sempre que ele se distraía, percebia que estava sorrindo.
Era um sorriso que escapava entre seus lábios e faziam também seus olhos brilharem e encherem de emoção que ele não sabia explicar, que não sabia dizer as características do que vira aquela tarde e nem sabia de onde vinha toda aquela chama que o enchia a alma. Só vinha á sua mente ela e seu belo vestido azul que cintilava com os raios de Sol, que espelhava em todas aquelas pessoas o vislumbre de se depararem com tanta beleza e sentimento em forma de poesia. Ela que encantava tudo e á todos o fez chorar tantas e tantas noites, o fez perder o sono e ficar sem a minima noção de onde procurá-lo.
E, então, ele se lembrou dela, como há muito tempo não fazia. A lembrança fez com que seus olhos se fechassem. Ele se lembrou de seu sorriso, de seu cabelo ao vento. Ele se lembrou de como ela colocava as mãos dentro dos bolsos do macacão.
Seus lábios estalaram por um momento.
Ele se lembrou do abraço que ela lhe dera da primeira vez em que cumprira uma promessa. Ela se aproximou devagar e o envolveu. Então, ela começou a chorar. Era um choro bom. Ele se emocionou.
“Por favor, por favor, não suma nunca mais, tá bom? Estou aqui”, ele tinha lhe dito, tantos anos atrás.
Seu lábio estalou e, ainda deitado, ele percebeu que os olhos começavam a ficar úmidos. Afastou o pensamento com esforço e se levantou da cama.
Ele se sentou na beirada e estendeu a mão até o criado-mudo, apanhando um cigarro de um maço. Acendeu. Tragou.
A fumaça não dissipou a memória.
Ele ainda se lembrava de cada sorriso, de cada movimento, de cada lágrima, de cada sussurro e de cada grito. Lembrou de quando se aproximava dela, sem saber muito bem o que fazer, como um menino, e se lembrou da última vez em que ela se afastou.
E, daquela vez, ambos sabiam que seria para sempre.
Ele se levantou. Caminhou até a janela, tragando o cigarro e lançando a fumaça no espaço.
Ele se lembrou das noites em que fumaram juntos na varanda da casa dela. Os olhos azuis, os cabelos mais claros à luz da lua.
Era doloroso. Era triste. E ele sorriu assim mesmo.
Mas mesmo assim ele luta contra, mesmo assim ele deixa com que os dias escorram entre seus dedos e esfriem suas mãos. Tanto tempo se passou, tantos Janeiros foram e voltaram mas ela continua ali, presa no canto de sua memória. Ele busca, tenta encontrar o novo, tentar achar motivos que o façam tentar denovo, que o permitam se soltar da memória mais viva e presente que ele ainda tem. Mas toda a poeira em seu quarto, a colcha azul, as almofadas ciano, o espelho oval, os perfumes encima da pia do banheiro, e um colar esquecido no canto do tempo não o deixa nunca mais. Essas marcas de quem um dia esteve ali, de quem a muito tempo viveu ali, as marcas que ele não consegue dissipar, mas que ao mesmo tempo não quer se desfazer, quer tornar cada vez mais essa dor em exposição, cada corte dessa cicatriz em carne viva e expor ao mundo e a todos que toda a dor se mudou para seu peito e transborda em seus olhos.
A realidade se impôs por um momento: tinha alguém na porta. A campainha, insistente, tocou de novo.
Ele caminhou até a porta, devagar. Abriu. Um sorriso o esperava.
- E então? Tá tudo bem?, perguntou o sorriso.
- Claro. E você?
- Comigo está tudo ótimo. Você é que anda sumido. Achei que era uma boa passar por aqui e ver se você ainda estava vivo.
- Deixa de ser ridículo, ele começou, sem muita ênfase.
O amigo entrou no apartamento e caminhou até a janela. Depois, virou-se e o encarou; o sorriso havia desaparecido.
- Há quantos anos a gente se conhece, Marcos?
- Mais de dez...
- Exato. Mais de dez. E há quanto tempo ela foi embora?
- Olha, vamos deixar isso pra lá, tá?
- Claro. Eu deixaria isso pra lá se você pudesse deixar isso pra lá. Vira e mexe, você fica assim.
- Nem sempre é assim tão fácil...
- Sabe, eu estou cansado disso. Quer ver como pode ser fácil, se você ao menos tentar? Põe um casaco e me segue.
- Pra onde?
- “Pra onde”? E isso por acaso faz diferença? Qualquer lugar é melhor do que ficar aqui trancado, se lamentando...
- Obrigado, mas eu prefiro ficar aqui...
O sorriso voltou ao rosto do amigo, mas agora era diferente. Não havia nada amigável naquela formação de músculos e dentes.
- Você quem sabe... Mas eu desisto aqui. Nós não nos falamos mais.
O sorriso foi até a porta e a abriu. Colocou um pé para fora da porta. Depois, o outro. Olhou para trás.
- Estou falando sério, Marcos. Eu juro, cara.
Marcos finalmente estendeu o braço até a cadeira da sala e apanhou o casaco.
Saíram.
- Marcos não adianta lutar contra você cara! Você não pode mais manter cada corte dessa cicatriz ai exposta ao vento, sol ou chuva, a vida segue lá fora, os carros andam como você pode ver. E esse semáforo bem aqui é como a vida, uma hora agente anda, tem cautela, presta atenção, mas na outra hora agente para pra poder recomeçar tudo outra vez. Nada acabou por aqui, é só você ter calma e esperar o tempo passar que logo logo o sinal fica verde denovo e tudo recomeça, a vida toma os caminhos que muitas vezes você não escolhe, mas em algumas vezes você pode evitar passar por uma pista esburacada e não cair em buraco algum certo? - Como se fosse fácil... Como se eu apertasse a tecla "reset" do meu computador cerebral e esquecesse dela e de todos os dias que se escorreram enquanto eu olhava pra ela hipnotizado, enquanto ela dançava só pra mim todas as noites no meu quarto. E entraram em algum bar desses escuros noturnos da cidade com cheiro forte de incenso em que se fuma muito, bebe muito e se fala pouco, só se presta atenção nas dançarinas ao redor, e a noite correu, lentamente entre um wisky e outro, entre cigarros de todos os sabores possíveis. Enquanto lá fora o Sol já ia empurrando a lua pra conquistar o seu lugar.
Os dois saíram do bar, com um pouco de bebida e de cigarro a mais. A vida era boa. A vida parecia boa, apenas. Perambularam.
No céu, as nuvens alaranjadas anunciavam o sol que já vinha. Pássaros cantavam e a cidade acordava rapidamente. Ao longe, e cada vez mais perto, buzinas de carros insistiam, ao mesmo tempo que em pedestres saíam dos buracos do metrô cavados no fundo da terra.
Marcos acendeu um Derby vermelho e o estendeu, oferecendo ao Sorriso. Tragaram.
- Não tinha mais dinheiro pra comprar um cigarro decente?, o Sorriso riu.
- Não. Só essa porcaria mesmo.
- Tá melhor?
- Claro que estou. Você que não entende que, às vezes, ficar mal faz parte do jogo, meu caro.
O Sorriso balançou a cabeça. Finalmente, coçou a barba, em consenso.
- Tem razão. Não entendo. E não faço a menor questão.
Os dois ficaram em silêncio enquanto caminhavam. O esforço de andar e falar ao mesmo tempo seria demais naquele momento. Então, os dois apenas continuaram andando.
Então, para a surpresa de ambos, havia uma igreja no meio do caminho. Eles se olharam e decidiram entrar, ainda em silêncio.
Lá dentro, não havia ninguém, a exceção de uma mulher que limpava o piso da igreja. Ela era uma senhora, negra, baixinha, de óculos. Carregava um balde de água junto a si, e um rodo com um pano que já deveria ter sido branco um dia.
Ela limpava o piso da igreja calmamente. Vez ou outra, levantava os olhos para o teto. E, em silêncio, voltava ao trabalho.
Ela os olhou quando entraram e sorriu.
- A missa é só daqui a uma hora, ela disse, sendo amável.
Os dois andaram em sua direção, obviamente bêbados.
- Não viemos para a missa, disse o Sorriso.
- Estamos só de passagem, concluiu Marcos.
Nem sempre tudo corre como o planejado. Minha vida, em geral, é uma prova disso. Na verdade, eu fico feliz em perceber que isso acontece com frequência: a vida não se preocupa muito com o meu planejamento.
Há algum tempo, eu decidi escrever um artigo sobre os sites de relacionamento dedicados ao público cristão, como o AmorEmCristo e o Divino Amor, por exemplo.
O objetivo era descrever esses sites - suas ferramentas e seu funcionamento - e oferecer alguns comentários a respeito do público que utiliza este tipo de serviço.
Pois bem... Já era...
E já era por um motivo bastante simples: eu conheci uma garota por lá. Sim, pronto, eu admito. Eu saio com garotas que conheço pela internet, por minha conta e risco.
Bom, mas eu tive muita sorte. Ela é ótima. É engraçada, inteligente e supercrente, como se espera de uma pessoa que você conhece em um site dedicado aos cristãos. Ela é linda e beija maravilhosamente bem.
Gosto principalmente do jeito que me olha com aqueles olhos esverdeados sempre que nos beijamos.
Aos poucos, tento mostrar a ela que me conhecer, ou se envolver comigo, não é exatamente uma grande roubada, apesar de eu ser um cristão bem meia-boca.
Uma palavrinha sobre os consórcios partidários: na eleição majoritária deste ano, a presidencial, temos dois grandes consórcios de partidos políticos, afinados com as principais candidaturas.
De um lado, apoiando a candidatura de Dilma Roussef, temos o PT, o PMDB, o PSB e o PCdoB, todos estes partidos com representantes eleitos em vários níveis da administração pública. Neste bolo de salada mista, temos vários partidos formados por aproveitadores e carreiristas, que apóiam o PT pois acham que sua candidata tem mais chances.
Do outro lado, ao redor da cadidatura de José Serra, temos o consórcio demo-tucano, formado pelo PSDB, os DEMos, e o PPS, que de popular e socialista só tem o nome. Este consórcio conta ainda com o apoio nem sempre discreto do PTB do ex-deputado Roberto Jefferson.
Em terceiro lugar, em um distante terceiro lugar, aparece o PV da candidata Marina Silva, que corre sozinho. Após a derrota de sua candidata no primeiro turno, os verdes provavelmente se aliarão ao consórcio demo-tucano, como fazem historicamente.
Aos poucos, o nosso futuro bipartidarismo vai tomando forma.
Acabo de terminar de assistir a quinta temporada da série de TV Lost. Agora, só falta uma, que ainda não está disponível em DVD.
A série termina com o que parece ser uma explosão nuclear na ilha.
Nesta quinta temporada, o assunto mais abordado foi a questão da viagem no tempo, uma aparente impossibilidade física, segundo os cientistas do momento. Na verdade, segundo Einstein e a sua Teoria da Relatividade, é possível viajar em direção ao futuro; mas é impossível viajar ao passado.
E, venhamos e convenhamos, viajar ao passado é o que interessa, não? O futuro, o meu ou apenas o futuro geral, é duvidoso e cheio de mistérios.
Assim, prefiro o passado.
Ah, se eu pudesse viajar ao passado! Eu faria como os cientistas da série literária Cavalo de Tróia: eu iria para a época de Jesus. E conheceria o Filho do Homem.
Esta seria a primeira parada.
Depois, provavelmente, estaria na Paris da segunda metade do século XIX e tomaria absinto com Rimbaud e Verlaine.
No mesmo século, eu me encontraria com Walt Withman e, com ele, trabalharia como voluntário em um hospital de campo durante a Guerra Civil Americana.
Eu assistiria a todas as revoluções pelas quais já passamos: a Inglesa, em 1640; as Francesas, em 1789, 1848 e 1871. Estaria na Rússia em 1917, e lutaria nas barricadas republicanas na Guerra Civil Espanhola.
Veria os russsos astearem a bandeira soviética em Berlim, em abril de 1945.
Em janeiro de 1959, eu estaria em Santa Clara, em Cuba, para assistir à chegada de Ernesto "Che" Guevara à cidade.
No Brasil, em 1964, eu conversaria com Carlos Marighella. Pouco mais tarde, em 1968, eu assistiria aos discursos de Martin Luther King Jr. nos EUA.
No ano seguinte, eu participaria do festival de Woodstock, em uma fazenda nas vizinhanças da cidade de New York.
Em 1984, eu participaria das passeatas pelas Diretas Já no Rio de Janeiro.
Quanto à minha vida, eu faria poucas mudanças. Afinal, todas as coisas, boas, ruins e péssimas, foram as que me troxeram até aqui, do jeitinho que sou.
Mas acho que mudaria uma coisa, sim.
Paz e Bem!
Post Scriptum (ou aquilo que você escreve depois de ter terminado o texto)
Eu mudaria algo para uma pessoa. Eu me mudaria para uma pessoa, que me deu todo o valor do mundo, quando eu não merecia. E teve pouco em troca.
Ás vezes, quando estamos quebrados, podemos achar tentadora a idéia de vivermos em uma ilha, isolados. A salvo de tudo e de todos, dependendo apenas de nossos próprios esforços para sobreviver.
Mas viver não é apenas sobreviver, certo? Pelo menos, eu não gosto de confundir vida com a multidão de tarefas que temos de fazer todos os dias: limpar a casa, pagar as contas, levar o cachorro para passear e dar bom-dia aos vizinhos.
Pode ser mais do que isso. A vida tem de ser mais do que isso.
Eu, pelo menos, cansei de viver em uma ilha, como um náufrago.
Esta noite, tive o prazer de conhecer pessoalmente uma pessoa com quem já venho conversando há algum tempo. Muito pouco tempo, mas, para minha surpresa, ela topou jantar comigo.
A melhor parte da noite foi perceber que, apenas dez minutos depois de nos encontrarmos - talvez um pouco mais do que isso; afinal, eu estava ocupado demais me divertindo para ficar olhando o relógio - estávamos bastante à vontade e conversávamos como amigos.
Espero que possamos nos tornar bem mais do que isso, mas essas são as coisas sobre as quais não temos nenhum controle.
Foi ótimo ver o quanto ela é bonita. Seus cabelos, seus olhos esverdeados e seu sorriso. E foi ótimo jantarmos comida japonea; faz tempo que eu estava morrendo de vontade de fazer isso.
Vamos torçer para que eu possa escrever muito mais sobre ela; e, se tudo der certo, para ela.
Há poucos dias, resolvi mudar o nome do blog. De Com outros olhos, ele passa a se chamar De olhos bem abertos. Pode parecer uma mudançazinha sem importância, apenas cosmética, talvez, mas trata-se de um pouco mais do que isso.
Há pouco mais de um ano, eu encerrei um blog - o Muyraquitã - e passei a escrever neste aqui.
A proposta geral era mudar algumas das minhas perspectivas, levando em conta uma tremenda, monstruosa, gigantesca, decepção na área amorosa.
Pois bem... isso foi feito.
Hoje, entretanto, não se trata mais de apenas mudar as perspectivas - gostos e posturas - mas de mantê-las e me tornar o mais aberto possível às novidades que se apresentem, sejam elas quais forem.
Este blog não é apenas um registro de banalidades sem importância. Ele é um programa.
Meio ano de 2010 termina hoje. ( 30 de Junho ) Chegamos até aqui, vivendo cada dia.
Depois que passa, nem percebemos que passou, mas é assim.
Neste meio de ano vivido, alguns de nós, viveram dias complexos, doloridos, eufóricos, desanimadores, esperançosos, mas, todos passaram e é porque passa que vale a pena.
Vale observar e celebrar cada minuto, cada momento, cada encontro, enfim, curtir tudo, pois, tudo passa.
Tudo passa mesmo. Nada fica. Nem a alegria mais celebrada e nem a dor mais sentida.
É claro que, alguns dirão, mas nem as lembranças ficam? Nem o legado que deixamos? Nem os memoriais que construimos? Nada fica?
Enquanto estamos nesta dimensão da existencia ainda é possivel se deixar algo para a tal posteridade, mas, se levarmos em conta as palavras de Jesus de Nazaré, bem, ai não sobra nada:
“Só minha palavra permanecerá, o resto, tudo passará”
Lembro-me da virada do século, do milenio e la se vão 10 anos e ai?
O tempo escapa-nos como que pelo vão dos dedos.
Esperamos a Copa do Mundo nos ultimos 4 anos e daquia 10 dias será o jogo final.
É assim com tudo e com todos.
O que fazer então e, será que pra alguns é diferente ou ainda, como fazer pra que a vida ganhe significado?
Bem, sou um seguidor de Jesus de Nazaré, portanto, considero-me um discipulo dEle.
Um discipulo busca imitar o seu Mestre, claro, não consigo imitar o meu Mestre em tudo, alias, quem dera conseguisse, mas, ha alguns ensinos que, entendo, podem ajudar na tentativa de dar significado a existencia.
Primeiro, o Mestre disse que o melhor é viver um dia de cada vez, pois, cada dia tem o seu proprio contorno e, seja bom ou mal, é cada dia que se vive.
Segundo, são inumeras as expressões nas narrativas dos evangelistas sobre Jesus em que se le:
“E Jesus viu”.
O Mestre via tudo e todos, isto é, era um observador permanente. Nada e ninguem passava sem que Ele observasse.
Via gente. Via a vegetação. Via os animais. Via a natureza. Via as cidades. Via as circunstancias no seu em torno. Via necessidades. Via a injustiça. Via o bem e o mal de cada dia. Via tudo e todos.
Penso que estes dois aspectos sendo levados em conta em nosso cotidiano, em nossa rotina, podem fazer da vida algo bem interessante.
Todos os dias e cada dia observar o sinples e o complexo.
Ver o sorriso de um bebe e a dificuldade de um velho ao se locomover.
Observar e curtir o caminho que nos leva a padaria, ao trabalho, a universidade até as aventuras radicais nas montanhas.
Aprender a dar valor aos movimentos singelos das pessoas que diariamente estão a nossa volta e admirar louças bem lavadas, camas arrumadas, casa cheirosa e gestos comuns que por serem comuns, não recebem a honra devida.
Na verdade, a maioria das pessoas são comuns e mesmo as que se destacam, tem suas rotinas.
A diferença são os olhos que colocamos em tudo.
Olhos graciosos sempre embelezam os ambientes e agregam valores aos que são vistos.
Que tal entrar o segundo semestre com olhos mais aguçados e observadores?
Que tal alterar a rotina dano o devido valor à própria rotina?
Que tal agregar valores ao cotidiano?
Eu sei, nem tudo depende só de nós, mas, no que depender de cada um nós, vamos fazer valer cada dia.
Carlos Bregantim
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Carlos Bregantim é mentor do Caminho da Graça em São Paulo, Capital. E, além disso, ele é meu amigo.
Ando com vontade de me isolar, de cortar laços, de mudar de estado ou até de país.
Quero ir para longe, em um lugar em que ninguém me conheça ainda. Mas, existe o maldito Google... Ou seja, é impossível, praticamente inviável, ser um estrangeiro em uma terra estranha.
Até isso, eles tiraram de nós.
Já que não posso ser um desconhecido, um estranho, opto então por ser anônimo. Me misturo à multidão e, normalmente - mas nem sempre - minha presença passa despercebida ao seu lado, leitor.
Na rua, no ônibus e no metrô.
Ser anônimo é isso: ser um e, ao mesmo tempo, ser todos.
Um dia, muito em breve, vou morar em um mosteiro por algum tempo. Lá, já que não tenho o menor jeito para ser monge, vou apenas ficar quieto e falar com o Chefe.