quarta-feira, 29 de setembro de 2010

CAIO FÁBIO RIDES AGAIN

Bom, é verdade... Já fazia um bom tempo que eu não postava nenhum texto de Caio Fábio aqui neste modesto blog.

Mas, apesar dos pesares, o homem ainda tem coisas a dizer e, como ele faz isso melhor do que eu, tomo a liberdade de usar seus textos.

Paz e Bem!
O PIOR E O MELHOR DA EXISTÊNCIA!... você quer?

Nada pode fazer maior mal mental e espiritual a um ser humano individualmente do que o ódio que se veste de auto-piedade.
Sim, pois pelo ódio todas as ações de um homem se fazem justas aos seus próprios olhos. Ora, um homem justo aos seus próprios olhos vira satanás; sim, se torna o acusador da vida e de tudo o que nela exista...
Quando o ódio se veste de auto-piedade, então, dois demônios para a alma nela se instalam, fazendo surgir um “terceiro termo psicológico”, que é o ódio amargurado.
Digo isto por admitir que exista o ódio ativo e valentemente perverso, que é o ódio que sentem e praticam os fortes de desgraçado espírito, e a História na maior parte das vezes é, foi e será feita de tais ambições do ódio que se vinga dos que odeia pelo ódio —; ao mesmo tempo tenho que também admitir a existência do ódio fraco, que é aquele que se veste de pena de si mesmo, o qual gera não apenas a inviabilidade de que qualquer coisa dê certo para tal pessoa, mas, além disso, inviabiliza qualquer existir ao lado de tal pessoa; a qual, pela auto-piedade existe para sofrer a vida, e, por isto, mais odiará a humanidade e tudo o que seja caminho de paz; visto que em tal pessoa até os “amigos de ódio” são seus inimigos de existir; isto se não viverem para levá-lo nas costa; e mais: sempre como quem serve; pois, se for como amizade que ajuda, até esses sofrerão o ódio do recalcado que em razão da auto-comiseração odeia até ter que precisar de qualquer ajuda.
Gente assim sofre não de uma doença, mas de todas; visto ser habitada pela enfermidade/causa/essencial de todas as enfermidades na vida.
De outro lado cada dia vejo que as pessoas mais livres para ser e viver, são justamente aquelas que já morreram; e que tratam toda agressão humana como o fazem os defuntos.
Sim, simplesmente não podem mais falir, nem brigar, nem se ofender, e nem se fazerem escravos de nenhum existente/supostamente/vivo.
A ênfase do Evangelho é no morrer a fim de que se possa viver; posto que o existir sem o morrer para o mundo, apenas cria a existência de um ser cativo de medos, opiniões, impressões e do desejo de se impor e de se fazer vivo pela sua supremacia aparente imposta sobre os de-mais...
Houve um tempo em que eu fui um homem muito vivo, mesmo enquanto pregava a morte para que se entrasse na vida.
Graças a Deus, porém, morri e continuo a morrer todos os dias; e quanto mais morto me manifesto em relação ao mundo, mas sinto a vida de Deus me possuir; e ainda: mais me sinto sem medo de nada; mais me torno fraco e forte; sem nada, mas possuindo tudo.
Mas a verdade é que a gente só morre quando morre mesmo; posto que para se provar a vida plena não se pode estar apenas meio-morto.
Ora, esse morrer ou é um atropelamento do amor de Deus sobre a nossa supostamente viva existência; ou então ele acontece como quebrantamento; que é a benção apenas dos bem-aventurados que se tornam humildes de espírito, ou que por já serem humildes de espírito se tornam bem-aventurados.
Assim, o caminho para a vida é feito de morte para o mundo e suas importâncias e guerras, ao mesmo tempo em que em tal caminhar não pode haver jamais nem ódio e nem auto-piedade; mas tão somente a vontade ávida de se crescer em amor e verdade valente na manifestação de ser em Deus e diante dos homens.
Tal homem pode ser forçado a deixar a Estrada milhões de vezes, mas jamais mudará o seu Caminho!
Esses que assim são [...] — são vitoriosos contra a morte e contra a vida; contra anjos, principados, potestades e poderes; contra o presente, o passado, as alturas e os abismos; sim, pois tais pessoas andam apenas o seu caminho em Deus; sempre sabendo que nada pode separá-los do amor de Deus; e, portanto, fazendo deles gente não apenas vitoriosa segundo Deus, mas, além disso, também pessoas que vivem sem medo algum diante dos homens; e, por isto, sem serem mexidos na direção de seu andar.
Saiba isto:...
Qualquer incompetência amorosa, positiva e solicita será sempre mais útil à vida do que maior genialidade que seja amargurada, odienta e cheia de auto-piedade!
Antes de entender isso não peça ajuda a Deus por nada; nem busque Nele qualquer coisa; pois, creia: Jesus disse que nem Deus consegue ajudar aqueles que quando vêem alegria, choram, e quando vêem dor, gargalham.
Faça morrer sua vida neste mundo; e abrace a morte para o mundo como o diploma que o habilita à verdadeira Vida; aquela que não vem do mundo, mas da confiança contente no amor de Deus — ainda que não lhe haja qualquer afirmação de crédito humano.

Nele, que ensinou isto e praticou o que ensinou, sendo Ele o Caminho por ser o Único que nunca foi desviado do Caminho, da Verdade e da Vida,

Caio

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Resenha:A natureza do estudo da religião: o papel da explicação”, de Donald Wiebe

Introdução

O presente trabalho tem como objetivo oferecer uma resenha sobre o capítulo 3, “A natureza do estudo da religião: o papel da explicação”, extraído do livro “Religião e Verdade”, de Donald Wiebe.
No Brasil, o livro foi publicado com o título “Religião e Verdade: Rumo a um paradigma alternativo para o estudo da religião”, pela Editoral Sinodal, do Rio Grande do Sul, uma editora de inspiração luterana.
Neste trabalho, a título de sistema de exposição, serão abordados os seguintes temas: uma breve exposição da biografia do autor, em termos acadêmicos; a proposta de seu trabalho de pesquisa, com subseqüentes desenvolvimentos e as considerações finais.

O autor

Wiebe é professor da Trinity College, em Toronto, no Canadá. Suas áreas de interesse no que tange à pesquisa científica são a Filosofia das Ciências Sociais, Epistemologia, Filosofia da Religião, História do Estudo Acadêmico e Científico da Religião e Método e Teoria no Estudo da Religião.
Entre suas principais publicações a respeito do estudo científico do fenômeno religioso, destacam-se obras como The Politics of Religious Studies: The Continuing Conflict with Theology in the Academy (A política dos estudos religiosos: o continuo conflito com a Teologia na academia), de 1999 ; Beyond Legitimation: Essays on the Problem of Religious Knowledge (Além da legitimação: ensaios sobre o problema do conhecimento religioso, de 1994; The Irony of Theology and the Nature of Religious Thought (A ironia da Teologia e a natureza do pensamento religioso), de 1991 e Religion and Truth: Towards and Alternative Paradigm for the Study of Religion (Religião e Verdade: Em busca de um novo paradigma para o estudo da religião) de 1981.

A necessidade da teoria

O principal tema tratado no capítulo que será examinado neste texto diz respeito à questão da necessidade, da parte das Ciências da Religião, ou seja, do conjunto multidisciplinar de ciências que têm o fenômeno religioso como seu objeto de estudo, da formulação de uma teoria explicativa sobre o fenômeno que busca analisar.
Segundo Wiebe, é necessário abandonar a tradicional visão de que não é possível oferecer uma explicação científica – ou uma teoria científica – sobre a religião, sem correr o risco de reduzir o fenômeno a algo sem importância.
Ao adotar esta linha de argumentação, o autor coloca-se em oposição às tradicionais interpretações do fenômeno religioso, que consideravam a religião segundo dois principais pontos de vista.
O primeiro, de que a religião é uma ilusão. Entre os defensores dessa linha interpretativa, podemos citar autores tão diferentes entre si como Karl Marx – para quem, a religião era uma espécie de reflexo invertido da realidade social – e o pai da psicanálise, Sigmund Freud que, em textos como “O Futuro de uma Ilusão”, por exemplo, afirma que a religião é um traço da personalidade neurótica.
A segunda linha interpretativa afirmava que, mesmo não sendo uma ilusão, o estudo científico da religião deveria buscar compreender de que forma o fenômeno religioso oferecia pistas para a interpretação da realidade social, uma vez que a religião existiria mediante causas específicas e, portanto, teria uma espécie de funcionalidade. Nesta linha, podemos citar autores como o filosófo Ludwig Feuerbach e o sociólogo francês Émile Durkheim.
Segundo Wiede, é impossível oferecer um estudo científico acurado sobre o fenômeno religioso sem se levar em conta a interpretação do fenômeno feitas pelos sujeitos religiosos, ou seja, os crentes de determinada tradição.
Além de defender a visão de que a opinião dos crentes teria a mesma validade que a interpretação de um observador externo, Wiede também defende que o estudo da religião pode ter mais eficácia se for realizado pelo que os sociólogos – e os antropólogos, antes deles – definiram como “observador participante”.
Para o autor, a posição do observador participante, que ocupa uma posição “dentro” da tradição religiosa, mesmo que esta posição ainda tenha um caráter marginal, a bem da objetividade científica, oferece melhores condições para o levantamento de dados empíricos e, mais adiante, para sua necessária interpretação.

Diferentes modelos explicativos 

Em sua abordagem, Wiede tece diversos comentários sobre vários tipos de modelos explicativos em uso nas ciências sociais, ao mesmo tempo que faz a diferenciação necessária em relação aos métodos de análises, necessariamente distintos, entre as ciências naturais e as ciências humanas.
O primeiro viés explicativo a ser abordado é o do modelo dedutivo-nomológico, proposto por C. G. Hempel e outros autores.
Segundo a interpretação de Wiede, o modelo de Hempel, ao determinar que um fenômeno só possa ser explicado a partir do seu enquadramento em leis gerais, de forma a assegurar sua previsibilidade, não pode ser utilizado satisfatoriamente nas Ciências Humanas, uma vez que não leva em conta a interpretação que os agentes fazem de suas próprias ações e, uma vez que nossas ações, são em grande parte, justificadas por escolhas de cunho pessoal (mesmo que socialmente determinadas, em certa medida), esse modelo explicativo seria falho.
Outra observação importante na análise de Wiede diz respeito à necessária natureza triádica (com três eixos), da explicação, ou teoria. Supõe-se que a explicação é o ato de alguém explicar algo a alguém.
Levando-se em conta esta proposta de estrutura triaxial da explicação, elimina-se a possibilidade da análise ser fruto de um estado mental pessoal do observador, sem validade científica posterior.
Outro modelo explicativo analisado - e criticado – por Wiede diz respeito à interpretação dos fenômenos sociais - e aqui incluímos a Religião – a partir da observação de determinadas causas externas; ou seja, a partir da determinação de sua funcionalidade, como queria Durkheim.
Para Wiede, o problema desse viés interpretativo reside na “arrogância intelectual” do observador, que desconsidera, ou vê como de menor importância, as explicações e análises feitas pelos sujeitos de suas próprias ações.
Segundo o autor, a acusação de que determinados sistemas religiosos de outras culturas eram simplórios e primitivos – como defendido por estudiosos das religiões comparadas no começo dos contatos com outras culturas – não resistiu à uma análise mais aprofundada dessas mesmas culturas.
Aqui, existe espaço para uma crítica implícita ao pretenso “evolucionismo cultural” da Humanidade, que, acreditava-se, teria ascendido das religiões primitivas rumo ao Cristianismo europeu, considerado como a forma mais desenvolvida de Religião.
Outra abordagem explicativa analisada por Wiede é a proposta por Smart, em seu esquema de “explicações inter-religiosas” e “explicações extra-religiosas”.
Segundo Smart, “uma explicação interna tipicamente implica a tentativa de demonstrar a conexão explicativa de um elemento, ou elementos, numa dimensão da religião, com um elemento, ou elementos, em outra dimensão da religião”. E, “as explicações externas tentam demonstrar como elementos religiosos são modelados por estruturas que em si mesmas não se enquadram totalmente dentro do território demarcado pela definição de religião”.
De acordo com Wiebe, uma explicação de um determinado fenômeno religioso – e ele cita a criação do Dogma da Trindade (Deus como três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo) dentro do Cristianismo primitivo como exemplo – necessitaria combinar as duas possibilidades explicativas, de forma a oferecer um quadro completo de análise.
Desta forma, ao combinar fatores externos e internos na interpretação do fenômeno religioso, o cientista da Religião poderia combinar diversas disciplinas na tentativa de elaborar um quadro explicativo sobre o seu objeto. Assim, os estudos poderiam combinar Teologia, História e Economia, por exemplo, além de uma infinidade de outras subdisciplinas, como a Filosofia e a Psicologia.

Considerações Finais

A proposta de uma teoria explicativa da Religião apresentada por Wiebe, ao levar em conta diversos fatores, com, por exemplo, a necessidade de se levar em conta o conhecimento dos sujeitos religiosos sobre a sua fé e prática, ao mesmo tempo em que defende a multidisciplinaridade do estudo da Religião, pode ser considerada como um exemplo do atual “estado da arte”, ou seja da forma como os estudos acerca do fenômeno religioso são feitos atualmente. 
A combinação de disciplinas – mesmo que tão diferentes entre si, como a História e a Teologia, por exemplo - na análise do objeto é evidentemente necessária, caso se queira tentar oferecer um quadro de análise o mais completo possível.


Thiago Fuschini
Mestrando em Ciências da Religião

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Onde estavam os supostos democratas na era FHC?


À medida que as possibilidades de vitória de Dilma Rousseff no primeiro turno se tornam mais reais, a sensibilidade às “ameaças à democracia” fica crescentemente aguçada. E distorcida. No caso do Brasil de hoje, as ameaças, segundo grupos da oposição, provêm, paradoxalmente, do próprio voto popular.


Essa parece ser a tese dos chamados “formadores de opinião” que querem mobilizar o País em “defesa da democracia”. Inspirados por um neoudenismo opaco e alimentados por um mal disfarçado ressentimento político, esses autodenominados “democratas convictos” insurgem-se, agora, contra a “visão regressiva do processo político”, que transforma o “Legislativo em extensão do Executivo” e “viola a Constituição e as leis”. Temem, acima de tudo, que Lula não apenas consiga eleger a sua sucessora, mas também que a situação obtenha votos suficientes para fazer uma folgada maioria no Congresso. Tal perspectiva, se concretizada, abriria, segundo esses “democratas convictos”, o caminho para o “autoritarismo” baseado no “partido único” (qual deles?) e na definitiva “fragilização da oposição”.


Como parlamentar que viveu a experiência dos 8 anos de FHC na oposição, e hoje no governo, posso avaliar o comportamento dos atuais oposicionistas, cuja dificuldade de atuar fica evidente na tentativa de golpear de forma baixa o Governo Lula, e de, ao melhor estilo lacerdista, mas sem a mesma competência e brilho, ganhar o jogo a qualquer custo, tentando impedir a continuidade desse projeto, agora sob comando de Dilma Roussef.


Tal preocupação é deveras tocante é têm sólidas raízes na história recente do Brasil. De fato, na época do regime militar, havia também muitos “democratas convictos” que se insurgiam contra a perspectiva do destino do País ser entregue ao arbítrio das massas populares “que não sabiam votar” e que se constituíam em apenas “massa de manobra para interesses populistas”.


Posteriormente, já no regime democrático, houve casos em que o voto popular conduziu a situações em que as oposições se viram extremamente fragilizadas e o governo pode promover, a seu bel-prazer, profundas reformas constitucionais e legais, transformando o “Legislativo em mera extensão do Executivo”. Esse foi o caso, por exemplo, do governo Fernando Henrique Cardoso.


Com efeito, turbinado pelo Plano Real, que produziu efeitos distribuidores de renda no curto prazo e promoveu o chamado “populismo cambial”, o governo FHC conseguiu formar uma maioria parlamentar e política que faria corar o democrata mais convicto. Na Câmara dos Deputados, o que os atuais “defensores da democracia” chamam de “partido único” tinha apenas 49 parlamentares e a oposição como um todo reunia pouco mais que uma centena de deputados. Assim, o governo FHC tinha à disposição uma maioria acachapante de quase 400 parlamentares. No Senado, a situação era pior (ou melhor, para os “democratas convictos”), o PT tinha cinco senadores e a oposição como um todo menos do que 20.


Tal maioria permitiu que, do alto da presidência da Câmara, o deputado Luiz Eduardo Magalhães operasse, alegre e profusamente, o seu famoso “rolo compressor” para aprovar reformas constitucionais e legais bastante abrangentes, sempre a serviço “dos interesses maiores do País”, é claro, como a abertura, sem critérios, das portas da economia brasileira ao capital estrangeiro, e a antinacional privatização do patrimônio público, com regras benevolentes e muitas vezes com ajuda do BNDES. E as medidas provisórias, que naquela época podiam ser reeditadas, foram usadas com proverbial prodigalidade. Obviamente, tudo isso era obedientemente ratificado pelo Senado, sem nenhum questionamento expressivo. Já ao final do primeiro governo FHC, tal maioria inconteste permitiu, inclusive, que se aprovasse a emenda constitucional da reeleição, com os aplausos entusiásticos dos que hoje se dizem “democratas convictos”, que não levantaram suas vozes contra a denúncia de compra de votos para aprovar a medida que beneficiou o sociólogo tucano e sua turma.


É de conhecimento até do reino mineral que, comparado com aquele governo, o governo Lula teve e tem uma situação politicamente bem mais difícil, especialmente no Senado. Apesar disso, o nosso governo investiu bastante no aprimoramento das instituições republicanas e na articulação entre o Estado e os movimentos sociais, com o aprofundamento da democracia. Fizemos conferências setoriais, envolvendo, entre outras áreas, saúde, educação, segurança pública, e ainda criamos o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, com a participação de empresários e trabalhadores, para a definição de importantes políticas públicas. Ao mesmo tempo, as liberdades fundamentais, como a liberdade de expressão, foram inteiramente protegidas e promovidas. Essas iniciativas, a adoção de mais transparência e o fortalecimento das instituições de controle, como a Polícia Federal e a Controladoria Geral da União, “seriam ameaças à democracia”, na leitura desses “democratas”.


Saliente-se que a extrema fragilidade da oposição da época de FHC tinha dois sérios agravantes. Em primeiro lugar, vivíamos a hegemonia inconteste do paradigma neoliberal, do pensamento único. Assim, os parcos e débeis protestos da oposição eram sempre rapidamente desclassificados como manifestações “jurássicas” e “neobobas”. Em segundo, a grande mídia, hoje confessadamente um partido de oposição, era, naquela época, um dedicado partido da situação cujo alinhamento aos desígnios governamentais só pode ser definido, a posteriori, como espartano. Curiosa essa queixa da imprensa de hoje, que viveu, com honrosas exceções, sob o manto monolítico do pensamento único neoliberal defendido pelo PDSB e PFL (atual DEM) e agora vem dizer que é ameaçada pelo governo do PT. O PIG virou um verdadeiro PRI: não quer mudanças e julga ter todo o poder para não dar satisfações a ninguém.


Tudo isso é plenamente conhecido por quem tem um pouco de memória histórica. Contudo, há um mistério que permanece insolúvel. Onde estavam os “democratas convictos” naquela conjuntura de intensa “ameaça à democracia”, segundo seus próprios critérios? Por que aplaudiram as fáceis eleições de FHC em primeiro turno e agora dizem que a eventual eleição de Dilma na primeira rodada seria um “desastre para a democracia”? Por que não consideravam a amplíssima maioria política e parlamentar que FHC dispunha no Congresso como um limitador ao exercício da democracia? Por que não se preocuparam com o isolamento e a debilidade da oposição daquele período? Por que não se insurgiram contra a inoperância do “engavetador geral da República”? Por que aplaudiram e ajudaram a promover a criminalização dos movimentos sociais? Por que o pensamento único não foi contestado?


É difícil saber onde estavam os que hoje se dizem “democratas”. Talvez a principal pista nos seja revelada por Dante. É provável que eles estivessem na sexta vala do “Malebolge”, exibindo as suas incômodas vestes de chumbo. Hoje, sem dúvida, estão sintonizados com seus patrões donos das concessões de emissoras e outros meios de comunicação, e claramente comprometidos com uma visão política pequena e distorcida de oposição ao Governo Lula.


De qualquer modo, sua alegre e livre emergência, agora exibindo plumagem específica, talvez se constitua na principal evidência do caráter democrático do Brasil, sob o Governo Lula.


Fernando Ferro é deputado federal (PT-PE), líder do partido na Câmara Federal.

domingo, 26 de setembro de 2010

AMIGOS & A PROVIDÊNCIA DIVINA

Eu acredito sinceramente na Providência Divina.

Sim, é verdade!

Isso significa dizer que eu acredito que Deus atua na minha vida, do Seu jeito misterioso, em vários momentos do dia. E nem sempre ele age em meu favor, ou, pelo menos, da forma como eu gostaria que ele agisse.

Além de nem sempre fazer as coisas do meu jeito, o que evidentemente seria bem melhor, Deus ainda prefere a atuação nos bastidores. Isso quer dizer que nunca vi oceanos se separando, ou que, em geral, poucas vezes coisas simplesmente caíram dos céus, a não ser chuva e granizo.

No meu caso, Deus nunca usou anjos para me mandar recados. Mas, uma infinidade de vezes, muitas mais do que sou capaz de contar, Deus usou pessoas em minha vida. 

Amigos que apareceram do nada em momentos dificeis; completos estranhos que, durante alguma crise, milagrosamente sabiam o que estava acontecendo e, ainda mais importante, sabiam exatamente o que dizer para me convencer a dar mais alguns passos. 
E você, leitor ou leitora, sabe como é difícil dar mais alguns passos quando se está no meio de uma escuridão completa... Temos medo de, ao caminhar um pouco, acabarmos caindo em algum buraco do qual não possamos sair.

Eu, pelo menos, sou assim. Sou razoavelmente cuidadoso; moderadamente covarde...
Ontem, eu quase desisti; quase fui embora. Um amigo me convenceu a ficar e dar mais uns passos - seu nome é Ricardo e ele acaba de entrar para a minha seleta seleção de melhores amigos - e, por isso, serei eternamente grato. 

E ontem, também, outro amigo - seu nome é Rogério - me segurou e me falou algumas palavras com a voz da razão. Apesar de ser moradamente cuidadoso, muitas vezes ainda troco os pés pelas mãos.

E as coisas desandam, invariavelmente, quando eu faço isso. 

Agradeço pelos e aos meus amigos, por alguns momentos de tranquilidade e apoio.

Paz e Bem!

RELENDO

Reli a última postagem agora, com alguma calma. A idéia era fazer uma revisão do texto. Evitar erros de português, apesar de eu ainda não dominar a nova ortografia do idioma. 

Ainda escrevo "idéia", quando tenho algum brilhante pensamento revolucionário. Acho estranho escrever "ideia".

Reli o texto, e a verdade, bruta, nua e crua, salta aos olhos, pedindo atenção: ainda gosto dela.

Da ex-mulher-da-minha-vida.

Eu não deveria escrever isso, por duas razões. A primeira: não tem volta. A segunda: eu não deveria me expor. Sempre que eu sou honesto, recebo uma pedrada.

Mas, pensando bem, fui tão cuidadoso no último ano, e o que ganhei com isso? 

Hoje, neste domingo chuvoso, escolho ser honesto.

Paz e Bem!

ENCONTRANDO L.

A tentação neste momento é a de tentar escrever um texto em terceira pessoa. Falar "dele", falar "dela", é mais fácil e mais seguro.

E impessoal. 

Um ou outro leitor saberia que eu estaria falando de mim mesmo, mas, ainda assim, eu estaria a salvo. Sempre haveria o benefício da dúvida.

"Não, não! É só ficção, é claro. Isso nunca aconteceu e nem vai acontecer...", eu diria.

Entretanto, por alguma razão, não tenho a mínima vontade de estar seguro.

Ainda tremo nas bases quando encontro a minha ex-namorada. O estômago dá voltas, a cabeça fica sem nenhuma idéia brilhante e meu rosto fica vermelho. 

Eu simplesmente perco o chão perto dela, como sempre aconteceu, desde a primeira vez em que nos falamos, em um distante 18 de julho.
Ontem, atendendo a um convite de uma amiga, estudante do curso de Biblioteconomia, fui à minha ex-faculdade, para uma festa. 

E, como sempre, quando eu não espero encontrar a ex-mulher-da-minha-vida, pimba! Lá está ela. 

Na verdade, ela chegou com amigas e amigos - e o Biel - quando eu estava de saída. E a sua chegada fez com que eu acabasse ficando um tiquinho mais. 

Infelizmente, não nos falamos, como sempre. 

Mas trocamos olhares, de forma inteligente e sagaz, quando achamos que nenhum dos dois estava olhando ao mesmo tempo. 

Ela fingiu que não dava a mínima. Eu fingi que não estou nem aí. Mas, pelo menos para mim, a verdade é bem outra.

Tive - e ainda tenho - essa vontade de dizer "oi". Sei do meu coração e sei que, provavelmente, eu tentaria de novo.

Mas, por ora, eu fico quietinho, com o tremor nas bases. E tento viver a minha vida sem ela.

Paz e Bem!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

CONVITE

 COMPAREÇA AO ATO EM DEFESA DA DEMOCRACIA!

CONTRA A BAIXARIA NAS ELEIÇÕES!

CONTRA O GOLPISMO MIDIÁTICO!

Na reta final da eleição, a campanha presidencial no Brasil enveredou por um caminho perigoso. Não se discutem mais os reais problemas do Brasil, nem os programas dos candidatos para desenvolver o país e para garantir maior justiça social. Incitada pela velha mídia, o que se nota é uma onda de baixarias, de denúncias sem provas, que insiste na “presunção da culpa”, numa afronta à Constituição que fixa a “presunção da inocência”.
Como num jogo combinado, as manchetes da velha mídia viram peças de campanha no programa de TV do candidato das forças conservadoras.
Essa manipulação grosseira objetiva castrar o voto popular e tem como objetivo secundário deslegitimar as instituições democráticas a duras penas construídas no Brasil.
A onda de baixarias, que visa forçar a ida de José Serra ao segundo turno, tende a crescer nos últimos dias da campanha. Os boatos que circulam nas redações e nos bastidores das campanhas são preocupantes e indicam que o jogo sujo vai ganhar ainda mais peso.
Conduzida pela velha mídia, que nos últimos anos se transformou em autêntico partido político conservador, essa ofensiva antidemocrática precisa ser barrada. No comando da ofensiva estão grupos de comunicação que – pelo apoio ao golpe de 64 e à ditadura militar – já mostraram seu desapreço pela democracia.
É por isso que centrais sindicais, movimentos sociais, partidos políticos e personalidades das mais variadas origens realizarão – com apoio do movimento de blogueiros progressistas – um ato em defesa da democracia.
Participe! Vamos dar um basta às baixarias da direita!
Abaixo o golpismo midiático!
Viva a Democracia!

Data: 23 de setembro, 19 horas

Local: Auditório do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
(Rua Rego Freitas, 530, próximo ao Metrô República, centro da capital paulista).
Presenças confirmadas de dirigentes do PT, PCdoB, PSB, PDT, de representantes da CUT, FS, CTB, CGTB, MST e UNE e de blogueiros progressistas.

BARÃO DE ITARARÉ

Algumas bandeiras ainda valem a pena de serem erguidas, mesmo nessa época triste de falência generalizada.

Uma delas, uma das mais importantes na opinião deste modesto escriba, diz respeito à NECESSIDADE DE DEMOCRATIZARMOS OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO NO BRASIL. 

A meu ver, isso passa por duas tarefas absolutamente necessárias e não-excludentes (ou seja, uma não vinga sem a outra):

1. Precisamos oferecer espaço de mídia àqueles que não tem acesso à divulgação da informação.
2. Precisamos quebrar o monopólio dos atuais grupos que controlam a imprensa brasileira.

Alguns grupos, principalmente depois da massificação da internet, estão nessa luta. Alguns mais organizados; outros menos.
Recentemente, descobri a existência do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé. E disponibilizo aqui o endereço dos caras. 

http://www.baraodeitarare.org.br/

Informe-se. Esta é uma luta que vale a pena.

Paz e Bem!